sexta-feira, 29 de setembro de 2017

[resenha] quiçá


acho que faz cerca de dois meses que comecei a leitura de quiçá. tinha acabado de comprar o kindle e estava em busca de livros escrito por mulheres brasileiras quando me deparei com uma indicação dessa livro, escrito por luisa geisler, até então, uma autora desconhecida pra mim.

esse foi um livro que começou me conquistando e rapidamente já tinha lido boa parte dele. dois meses depois, só agora consegui finalizar a história. algo me incomodava na narrativa e eu não sabia bem o que era... até que consegui finalmente entender: a escrita, apesar de boa, em alguns momentos se torna extremamente repetitiva e em momentos mais críticos, entediante. muitas vezes pegava o livro para ler na cama e poucos parágrafos depois, já estava dormindo. culpei o cansaço muitas vezes até que consegui identificar o sonífero culpado: quiçá tem uma história que dá muitas voltas e os rodeios às vezes são excessivos. apesar disso, sinto indicar esse livro ainda vale muito a pena.

a história gira em torno de clarissa, uma adolescente de 11 anos. seus pais, augusto e lorena são uma dupla de workaholics publicitários donos de uma agência. a vida de clarissa se transforma quando seu primo arthur começa a morar com ela e sua família, após uma tentativa de suicídio.

clarissa é uma menina madura de mais para sua idade, vez ou outra é fácil se esquecer que elaé tão jovem, mas a autora se prontifica a nos lembrar a idade dela sempre que possível!  ela é obediente, responsável e estudiosa... conta apenas consigo mesma, já que a ausência dos pais é rotineira. seu primo arthur é o oposto de tudo isso: fala palavrões, é tatuado, bebe, fuma  mata aulas. juntos e em suas diferenças, eles se descobrem companheiros.
“Às vezes ser uma má influência é melhor do que ser influência nenhuma”.
quiçá é um desses livros que não segue a cronologia do tempo, tendo uma narrativa que vai e e volta entre o ano que arthur chega para morar com clarissa, um almoço de natal em família e diversas histórias fragmentadas que surgem entre um capítulo e outro.

o desenvolvimento da história acontece de maneira leve e muito natural. sem a gente perceber já está totalmente envolvido com a vida daqueles personagens, se decepcionando a cada ausência dos pais de clarissa e acompanhando as descobertas que ela faz da vida ao lado de arthur, em um novo mundo que ele a apresenta. há também uma certa melancolia que permeia a toda a narrativa e que vai dando ritmo ao desenrolar da história.

no fim da contas, apesar da dificuldade em avançar na história, quiçá é uma boa leitura e com certeza, abriu as portas para que eu conhecesse uma autora tão jovem e de muito talento.

[tag] completando frases


achei essa tag perdida por aí na internet e já sabem, né? sintam-se a vontade para responder também!

  1. Se eu pudesse... viajaria o mundo.
  2. Se eu pudesse voltar no tempo... voltaria a 1989.
  3. Eu sempre gostei de... livros! pedi para minha tia me ensinar a ler antes de ser alfabetizada na escola e poder meus livros sem precisar da ajuda de ninguém.
  4. Quando criança... era bem tímida e quando digo isso hoje, ninguém acredita.
  5. Eu nunca... digo nunca! ;-)
  6. Eu já... fiz faculdade de direito e transferi de curso quando estava no sétimo período.
  7. Fico feliz quando... as coisas saem da forma que planejei!
  8. Não gosto... de musicais. acho constrangedor toda aquela atuação cantada.
  9. Eu morro de medo... de não conseguir realizar as coisas que desejo.
  10. Nesse exato momento... eu deveria estar dormindo (são 03h40).
  11. Eu preciso... de dinheiro ser mais organizada.
  12. Não suporto... gente que força a amizade.
  13. Sou muito... impaciente. tipo, muito.
  14. Quero muito... uma câmera nova.
  15. Adoro... dormir até tarde ❤

descompliquei


aviso aos navegantes:

quando criei o ttc, minha intenção era retomar aquele formato "raiz" da arte de bloggar. rapidamente me perdi em meio as firulas que só a blogsfera moderna é capaz de oferecer. hoje voltei atrás e descompliquei: nada de templates elaborados, animações e derivados. a partir de hoje, o blog retorna ao seu formato mais simples possível (em design) e com foco 100% em conteúdo (e uns gifs pra animar).

ps1- sei que estou atrasada na resposta de comentários, mas prometo que isso será solucionado no final de semana.

ps2- eu deveria estar dormindo.

ps3- já curtiu a página do blog? clica aqui então!

diários do luto #2

hoje foi mais um desses dias em que acordo mais pensativa que o normal, inquieta... quando vivemos o luto, pelo menos na minha experiência, algumas datas em especial tem o poder de mexer com a gente e hoje foi exatamente assim.


depois que perdi minha mãe, já comemorei meu aniversário, o do meu pai e hoje foi o dia do meu irmão. em cada uma dessas datas, a ausência dela é ainda mais presente (oh, ironia) e o silêncio da sua voz é ainda mais ensurdecedor. não é saudade de cantar parabéns junto, ou fazer uma festa... é saudade de um sorriso singelo, uma ligação no meio da manhã, de planos para o futuro... são essas pequenas coisas - que agora jamais serão - que machucam muito.

foi então que parei alguns instantes para pensar em quanta coisa mudou na minha vida desde o dia 26 de janeiro e sobre como de fato a gente segue caminhando, alguns dias bem e noutros, nem tanto. e mais do que isso: pensei em como a morte transforma quem fica. agora, sentada e digitando essas palavras, é quase impossível tentar explicar o que isso significa, mas não custa tentar.

superar as tristezas não significa sair ileso delas. é impossível dizer que sou a mesma pessoa que era até o início desse ano. a gente muda sem querer, talvez se endureça um pouco e em alguns momentos, se derreta além da conta. a morte parece uma lição da vida: num piscar de olhos tudo muda... e muda mesmo.

às vezes me pego pensando em toda uma vida que passou, me agarrando a lembranças de tempos mais felizes e em como é realmente uma pena que daqui pra frente todas as lembranças criadas estarão desfalcadas. aniversários, comemorações de natal, ano novo ou a simples rotina do dia-a-dia já não terão mais sua presença. vai ter sempre um lugar vazio nas fotos, vai faltar um abraço, uma ligação, um sorriso. ainda que haja felicidade e bons momentos,vai faltar um pedaço de mim... todos os dias. sempre.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

semana em imagens #01

já me segue no instagram?





quinta-feira, 21 de setembro de 2017

this is us: a série que você precisa ver


já faz algum tempo que vejo this is us gerar um buzz na internê. até então, a única coisa que eu sabia era que o jess de gilmore girls milo ventimiglia era parte do elenco. no último domingo, enquanto assistia a cerimonia do emmy, decidi buscar os episódios e começar a assistir.

a primeira temporada da série, transmitida nos eua pela nbc, possui 18 episódios com cerca de 43 minutos cada. no domingo assisti 3 episódios direito e fui dormir quase às 3h da manhã. eu estava oficialmente viciada.

#help
entre cenas do presente e passado, somos apresentados à família de jack pearson (milo ventimiglia) e rebecca (mandy moore). aos poucos vamos conhecendo a história de como se conheceram, se apaixonaram e tiveram três filhos - the big three: kevin (justin hartley), kate (chrissy metz) e randall (sterling k. brown).

a trama envolve cada membro da família e também pessoas com as quais eles se relacionam, narrando seus conflitos de forma suave, transitando com facilidade entre o humor o drama para abordar temáticas densas e cheias de significado.



a química entre o elenco é ponto alto da produção e a trilha sonora também merece destaque à parte: é um encaixe quase feito sob medida!

ainda estou no sexto episódio, mas a boa nova é que this is us já foi renovada para mais duas temporadas 💓e minha expectativa já está lá em cima! assistam e garanto que não vão se arrepender.

domingo, 17 de setembro de 2017

[resenha] a revolução dos bichos

os sete mandamentos

1. qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. o que andar sobre quatros pernas, ou tiver asas, é amigo.
3. nenhum animal usará roupa.
4. nenhum animal dormirá em cama.
5. nenhum animal beberá álcool.
6. nenhum animal matará outro animal.
7. todos os animais são iguais.
(p. 25)

foto: a teoriadetodasascoisas/ana mattos
falo por experiência pessoal, mas talvez outras pessoas também se identifiquem com isso: quando me proponho ler um livro que carrega o título de "um clássico", parece que ele passa a pesar uns 30kg e a responsabilidade se torna enorme. "será que vou entender?", "será que vou gostar?".

quando decidi que leria a revolução dos bichos de george orwell, foi exatamente assim que me senti. porém, ao longo da leitura, a tarefa foi se tornando cada vez mais fácil e a genialidade do livro fez com que sua leitura se tornasse simples... simples, mas nem tanto!

nas palavras do próprio autor, seu intuito era "denunciar o mito soviético numa história que fosse fácil de compreender por qualquer pessoa e fácil de traduzir para outras línguas" (p. 113). dito e feito, apesar de toda atmosfera política, a narrativa faz uso de analogias bem cotidianas para criar um texto simples e bastante didático.

a crítica feita aos regimes extremistas e totalitários é escancarada e cada virada de página te faz ir aos extremos da revolta com os absurdos que vão se desenrolando ao longo da trama. se existe aquela máxima que diz que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente, a revolução dos bichos é a ilustração perfeita desse cenário.

a história narrada se passa na granja do solar. lá, os bichos se revoltam contra sr. jones, seu dono, pois sentem-se insatisfeitos com tanta exploração, vivendo para trabalhar e sendo muito mal alimentados. 
"o homem é a única criatura que consome sem produzir. não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. mesmo assim, é o senhor de todos os animais." (p. 12)
inspirados pelas ideias de revolução do porco major, que certa noite conta aos bichos sobre um sonho que teve, em que viu como seria o mundo sem os homens, os bichos se revoltam contra seu senhor e o expulsam da granja do solar, que passa a ser reconhecida como granja dos bichos.

ilustração: ralph steadman
no começo as coisas vão bem com o nascimento do que batizam de animalismo, pautado pelos sete simples mandamentos que você leu no início desse texto. com o decorrer do tempo, uma divisão natural começa a acontecer. por serem mais inteligentes que os outros animais da granja, os porcos assumem a liderança, mas seus próprios conflitos afetam a relação com os demais bichos e a narrativa passa a abordar a relação de exploração entre os próprios animais, onde a instauração de uma tirania ainda pior que a dos humanos começa a tomar forma.

contada em apenas 112 páginas, a história de a revolução dos bichos, apesar de escrita durante a segunda guerra mundial (e publicada em 1945), é atemporal justamente por abordar questões de poder, opressão social e exploração, assuntos que seguem sendo constantemente debatidos. no fim, george orwell consegue nos dar boas doses de realidade com uma escrita tão simples e leve que nos deixa quase viciados.

(clique na imagem para comprar)



título original: animal farm: a fairy story
autor: george orwell
editora: companhia das letras
gênero: ficção/literatura estrangeira 

sábado, 16 de setembro de 2017

[resenha] o conto da aia

pode conter alguns spoilers

talvez (com certeza) eu estteja atrasada pra festa. sei que muita gente já resenhou o conto da aia (the handmaid's tale), mas quando assisti a série - no caso, devorei - eu pensei muito em fazer uma resenha no grl pwr.  logo eu desisti por não me sentir capaz de escrever uma reflexão que fosse digna de aparecer por lá.

foto: hulu/divulgação
então, shall we?
o conto da aia é uma adaptação do livro de mesmo nome da autora margaret atwood (1985) e sua primeira temporada foi ao ar pela plataforma de streaming hulu

a história - bizarra - reúne em sua narrativa questões de fertilidade e maternidade aplicadas a em uma sociedade do futuro não tão distante. a república de gilead (eua) está inserida num contexto de guerra civil, onde impera um governo totalitário e teocrático que controla todos os aspectos da vida de seus cidadãos. ainda neste cenário, as mulheres, divididas em castas, são propriedades do governo. mulheres ferteis - uma raridade neste contexto - formam o grupo das aias e despidas de seus direitos e desejos, assumem sua única função social:  procriar.


cada uma dessas aias é enviada a diferentes lares onde residem homens poderosos do governo e suas mulheres inférteis. nas chamadas "cerimônias", a aia é estuprada por seu comandante num ritual de fazer arrepiar até o último fio de cabelo.

a narrativa é feita por offred (elisabeth moss, pisa menos, eu te imploro) e esse nome já carrega grande significado. offred significa exatamente isso: of fred, ou em tradução livre, de fred, seu comandante. a história mistura presente e flashbacks do passado que vez ou outra, para mim, foram essenciais para que eu me lembrasse que a série não se tratava de uma história "de época", mas sim de uma sociedade moderna. é a partir desses flashbacks que conhecemos o background de offred e também como a sociedade foi sofrendo mudanças até que chegasse ao presente que estamos assistindo.


além de offred e o núcleo da casa de seu comandante, a história também nos apresenta personagens como luke, marido de offred em sua vida"anterior", ofglen, vivida por alexis bledel (premiada essa semana pelo papel) e moira (samira wiley), melhor amiga de offred.

a série é extremamente bem produzida e sua fotografia é impecável... sabe essas séries que a gente começa a assistir sem muita expectativa e quando vê já viciou? pois é! o conto da aia foi possivelmente a melhor série que assisti nesse ano e que fiquem avisados: ela foi renovada para uma segunda temporada, portanto, assistam! a reflexão que a produção nos convida a fazer é extremamente pertinente para os dias assombrados que vivemos.

ana, tem trailer legendado? tem sim sinhô:

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

[tag] 7 sensações que eu amo

vi essa tag no blog da gabriela hoje mais cedo, a mão do post coçou e cá estou eu listando as 7 sensações que mais amo.

ilustração: sveta dorosheva


(não está e ordem de preferência pois não sou capaz)

1 esfregar os pés em lençóis limpos

eu amo a sensação de me deitar na cama a noite e ficar passando as pernas pelos lençóis recém-trocados... me relaxa instantaneamente.

2 sentir cheirinho de café ao acordar

não consigo nem levantar da cama mal humorada se quando eu abro os olhos já consigo sentir o cheiro do café coado vindo lá da cozinha. é amorzinho de mais!

3 terminar de ler um livro

sempre que termino a leitura de um livro, sinto que me tornei uma pessoa um pouquinho melhor, mais evoluída... não sei explicar, apenas sentir! 

4 ouvir música altíssima nos fones de ouvido

a sensação de se desligar do mundo real e conseguir mesmo que apenas por alguns momentos, embarcar na batida de uma música ou simplesmente refletir sobre o que a letra diz faz cócegas no meu estômago. 

5 brisa fresca em dias quentes

gosto de fechar os olhos e sentir aquele ventinho fresco que entra pela janela lateral do quarto em dias mais quentes, fechar os olhos e me transportar para a casa de praia onde passei quase todas as férias da vida e que agora não existe mais. é nostálgico!

6 acordar antes do despertador tocar

tenho certeza que não sou a única a sentir uma coisinha boa por dentro sempre que acorda, olha no relógio e vê que pode dormir mais um pouquinho.

7 andar com os pés descalços

não tem jeito: nasci para viver com os pés no chão! não tem sapato novo que substitua a sensação de pisar na madeira corrida do quarto, ou na pedra fria da sala. sinto que as energias se renovam!

gostou da tag? sinta-se à vontade para respondê-la também! bora trocar umas ideias ;-)

diários do luto #1

é realmente uma pena que esse blog não existisse no início do ano. com certeza ter um lugar para desabafar teria sido bem útil em alguns momentos do luto que venho vivendo desde que perdi minha mãe.


a minha intenção agora é criar uma série de posts que documentem minha travessia por esse período na expectativa de não só desabafar, mas também de ajudar pessoas que também estejam passando por isso, ou que sejam meramente curiosas. a morte é sim bastante curiosa e com o tempo nosso luto se torna uma inconveniência para aqueles que estão à nossa volta.

o que passou nos últimos meses (sete, para ser mais exata) não poderá mais ser registrado em palavras que façam algum sentido. mesmo assim, nesse primeiro post da série, vou tentar reunir tudo que for possível.

minha mãe faleceu na tarde ensolarada do dia 26 de janeiro deste ano e foi sepultada no dia seguinte. importante frisar, porém, que meu luto começou bem antes disso.

no início de 2016 recebemos o diagnóstico do câncer dela: pâncreas estágio IV com metástase em alguns órgãos (fígado, ossos e etc). eu evitei de todas as formas buscar no dr. google qualquer informação sobre a doença... eu sabia que era melhor assim. e foi.

2016 também foi o ano do meu casamento e em meio a esse turbilhão de emoções, eu tentava não me sentir culpada por estar tão feliz com a expectativa do grande dia. ela também estava radiante e era o que sempre dizia aos médicos "em setembro minha filha vai casar e preciso estar lá". os médicos nunca deixaram que ela soubesse da gravidade do seu quadro, mas talvez lá no fundo ela soubesse. talvez.

unindo todas as suas forças - e avisados de uma melhora incrível de seu estado geral com desaparecimento de algumas metástases e redução do tumor no pâncreas - no dia 3 de setembro ela estava lá, me vendo casar com o rodrigo e mais radiante que nunca.

foto: clarissa lanari

quando alguém tão próximo de você recebe um diagnóstico de câncer, esse diagnóstico te contamina também. é como se ligassem um cronômetro no seu ouvido e ele jamais permite que você esqueça: o tempo está passando. a pessoa pode estar bem, sorridente e de alguma forma, forte, mas você sabe que lá dentro os tumores estão se multiplicando e indo de um lado a outro contaminando o que estiver no caminho.

digo isso agora, mas durante os nove meses (mais ou menos) de tratamento da minha mãe, eu na verdade me mantive bastante otimista. minha marília sempre foi dura na queda e até o último dia eu sempre acreditei que ela daria a volta por cima. ela lidava com o câncer como se estivesse lidando com uma gripe: se agigantou diante da adversidade e manteve-se firme até seu último momento.

foi somente quando o último dia chegou que entendi que de fato aquela guerra estava chegando ao fim. nem mesmo quando ao invés de receber alta, soubemos que ela precisaria voltar para o cti. nem mesmo quando nos disseram que ela precisaria ser sedada e entubada... nem mesmo quando seu coração já batia fraco no monitor (apesar de fortalecer ao perceber nossa presença ao seu lado)... nada disso foi capaz de tirar de mim o direito de ter esperanças. e no fim, doeu... não fazia sentido e eu era incapaz de entender "onde foi que deu errado".

fui mais forte do que poderia imaginar... nessas horas a gente sempre tira forças de algum lugar. mas durante muito tempo, até ontem, para ser mais precisa, a imagem da minha mãe se tornou um borrão na minha cabeça e eu senti medo, todos os dias, de que talvez eu fosse me esquecer do rosto dela, do sorriso, da voz... eu realmente tive medo.

foto: pinterest
hoje enquanto tomava banho me lembrei dela, como sempre faço. geralmente é nesse momento do dia que permito que as emoções se aflorem, para rir ou chorar, com lembranças de minha mãe e de tempos mais felizes, quando eramos completos. para minha surpresa seu rosto estava perfeito em minha memória como se eu a tivesse visto ontem. seu sorriso largo surgiu na minha cabeça com a nitidez da realidade que vivemos durante quase 28 anos juntas.

foi uma lembrança que me fez bem e que não veio acompanhada da dor... só de saudade e amor! foi então que percebi que dei mais um passo na direção da superação. venci mais uma etapa! consigo me lembrar de você, marília vaidosa, com sorriso largo, cabelos cor de fogo, como sempre foi e como sempre será, até o infinito.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

[resenha] em águas sombrias

foto: a teoria de todas as coisas/ ana mattos
às vezes nem parece que tô no meio de um semestre desenvolvendo meu tcc. o fato é que devorei um livro em poucos dias e tô aqui pra contar pra vocês.

em águas sombrias foi desses livros que encontrei por acaso: já tinha lido a garota no trem, mas não fazia ideia de que a autora já tinha outra publicação (que inclusive também vai virar filme). foi num sábado qualquer que resolvemos desbravar a nova livraria do bairro - também encontrada por acaso - que me deparei com o dito cujo.

beckford seria mais uma pacata cidade do interior da inglaterra, não fosse o histórico sombrio do rio que percorre a cidade:  diversas mulheres morreram ali no poço dos afogamentos.
Sinopse: Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos…
a narrativa segue o estilo de hawkins a que fomos apresentados em seu livro anterior: ao longo da narrativa, acompanhamos o desenrolar dos fatos sob a perspectiva de diversos personagens da trama. o início parece um pouco confuso, pois dessa vez ela envolve - e desenvolve - muitas personalidades ao longo do texto. uma vez que a gente pega o ritmo da leitura e já trabalha com certa intimidade com cada personagem, a história se desenrola com muita tranquilidade.

como apontei no início do texto, instigante do início ao fim, o livro aborda uma história bastante pesada: a morte de mulheres no rio da cidade. história essa que ora aponta assassinatos, ora suicídios, mas sempre com uma dose de mistério que envolve o real motivo dessas mulheres terem encontrado sem fim naquelas águas.
beckford não é um local de suicídios. beckford é um local para se livrar de mulheres encrenqueiras.
como não poderia deixar de ser, as últimas páginas são ainda mais inquietante e o final é a cereja no topo de uma narrativa incrível, instigante e aterrorizante. e sabe o que provoca um arrepio extra na gente? a atualidade do tema que envolve mulheres e o constante julgamento de seus comportamentos na sociedade desde os tempos mais primórdios. empurradas ou "caídas", cada uma daquelas mulheres encontrou a liberdade no fundo do rio.

Título original: Into the Water
Autora: Paula Hawkins
Editora: Grupo Editorial Record
Gênero: Thriller

[resenha] it - a coisa

talvez você não saiba (eu mesma não sabia) que it - a coisa não é um remake do clássico filme dos anos 1990. o filme é na verdade uma adaptação do livro homônimo escrito por stephen king.

foto: warner bros/brooke palmer
um resumão para quem não conhece a narrativa: o filme conta a história de um grupo de sete crianças da cidade de derry, no maine, que enfrentam uma criatura horripilante, capaz de tomar a forma daquilo que mais assusta suas vítimas com o objetivo de sequestrá-las e devorá-las.

o filme estreou por aqui no dia 7 de setembro, e ontem (12.09) finalmente pude ir ao cinema assistir.

a narrativa é densa ( o livro possui cerca de 1000 páginas) e portanto, o filme - que terá uma sequência - tem que se virar para abordar a personalidade de cada uma das crianças, detalhar os conflitos que enfrentam e ao mesmo tempo, desenvolver o grande vilão dessa história: pennywise, o palhaço dançante.

apesar do desafio, o filme ganha um ritmo bastante equilibrado da narrativa, além de misturar com maestria as cenas de terror - muito bem feitas, vale destacar - e momentos mais cômicos. aliás, talvez equilíbrio seja a palavra certa para descrever o filme: não há elementos desnecessários.

o elenco é outro acerto que merece destaque: os atores mirins, e claro, bill skarsgård na pele da coisa, são elementos chave para a construção de um filme de tanta qualidade. sophia lillis (bev, a única garota do bando) merece todos os aplausos e de maneira geral, o carisma e a química do elenco chega a ser palpável.

saí do cinema satisfeita e arriscando dizer que it - a coisa foi um dos melhores filmes que vi no ano. o que nos resta agora é aguardar a continuação da história e torcer por mais acertos!

It - A coisa
Data de lançamento 7 de setembro de 2017 (2h 15min)
Direção: Andy Muschietti
Elenco: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Finn Wolfhard mais
Gêneros Terror, Suspense
Nacionalidade EUA

na teoria, a prática.

foto: pinterest

são 02H04 da manhã e estou aqui, deitada na cama, enfrentando o sono enquanto digito o primeiro post desse blog. essa não é a primeira vez que me aventuro no universo dos blogs pessoais (alô, não perguntaram, você ainda existe?), mas espero conseguir finalmente encontrar nesse espaço, o refúgio que tanto busco.

para que a gente comece se conhecendo, prazer, me chamo ana! sou publicitária, mineira de belo horizonte, taurina convicta, tenho 28 anos, casa, marido, duas cachorras e um amor infinito pela prática da escrita.

me visite por aqui sempre que puder! tem resenha de livro? tem sim senhor! de filme? também! publicações aleatórias sobre meu dia-a-dia? é claro! esse é só mais um blog pessoal perdido pela blogsfera? ô se é... mas, que mal isso faz?

que a gente possa começar uma relação bonita e duradoura na arte de ler e escrever com amor!

bem-vinda eu, bem-vindos vocês! (Tem alguém aí?)