sexta-feira, 29 de setembro de 2017

diários do luto #2

hoje foi mais um desses dias em que acordo mais pensativa que o normal, inquieta... quando vivemos o luto, pelo menos na minha experiência, algumas datas em especial tem o poder de mexer com a gente e hoje foi exatamente assim.


depois que perdi minha mãe, já comemorei meu aniversário, o do meu pai e hoje foi o dia do meu irmão. em cada uma dessas datas, a ausência dela é ainda mais presente (oh, ironia) e o silêncio da sua voz é ainda mais ensurdecedor. não é saudade de cantar parabéns junto, ou fazer uma festa... é saudade de um sorriso singelo, uma ligação no meio da manhã, de planos para o futuro... são essas pequenas coisas - que agora jamais serão - que machucam muito.

foi então que parei alguns instantes para pensar em quanta coisa mudou na minha vida desde o dia 26 de janeiro e sobre como de fato a gente segue caminhando, alguns dias bem e noutros, nem tanto. e mais do que isso: pensei em como a morte transforma quem fica. agora, sentada e digitando essas palavras, é quase impossível tentar explicar o que isso significa, mas não custa tentar.

superar as tristezas não significa sair ileso delas. é impossível dizer que sou a mesma pessoa que era até o início desse ano. a gente muda sem querer, talvez se endureça um pouco e em alguns momentos, se derreta além da conta. a morte parece uma lição da vida: num piscar de olhos tudo muda... e muda mesmo.

às vezes me pego pensando em toda uma vida que passou, me agarrando a lembranças de tempos mais felizes e em como é realmente uma pena que daqui pra frente todas as lembranças criadas estarão desfalcadas. aniversários, comemorações de natal, ano novo ou a simples rotina do dia-a-dia já não terão mais sua presença. vai ter sempre um lugar vazio nas fotos, vai faltar um abraço, uma ligação, um sorriso. ainda que haja felicidade e bons momentos,vai faltar um pedaço de mim... todos os dias. sempre.

Um comentário:

  1. Poxa, cara. Esse texto me deixou numa bad incrível. Estou muito triste por saber que perdeu sua mãe, sei que a falta que ela faz nunca vai deixar de fazer parte de dentro de você e isso é uma coisa insuportável. Sinto muito, muito mesmo. E seu texto de uma certa forma me vez ver o quão a vida é passageira e me mostrou que preciso aproveitar mais os meus momentos com meus pais, familiares, amigos. Nunca sabemos a hora que o pedaço nosso vai decidir ir, para sempre.

    Beijos!
    www.memorizeis.tk

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