[resenha] I, Tonya


Não sou dessas de entrar na corrida para assistir os filmes indicados ao Oscar antes que a cerimônia aconteça. Aliás, o único que eu tinha assistido essa ano, quando rolou a entrega do prêmio, era Get Out.

Depois que passou todo o burburinho da festa, resolvi assistir I, Tonya, uma das produções que havia despertado a minha curiosidade.

Tonya Harding foi uma patinadora americana bastante controversa: além de não se enquadrar na figura padrão das atletas que praticavam o esporte, sua carreira chegou ao fim após ter sido acusada de mandar quebrar a perna de uma de suas maiores rivais no gelo, afim de conquistar uma vaga para as Olimpíadas de 1994.

Com pitadas de humor negro, o filme mescla imagens de "depoimentos" e relatos das personagens envolvidas na narrativa, com a história narrada. Esse recurso faz com que temáticas pesadas como a violência doméstica sofrida por Tonya, ora nas mãos de sua mãe, ora nas mãos de seu marido, se torne mais leves e toleráveis de serem assistidas. 

Além disso, é com o uso desse recurso que faz com que a história não se limite a mostrar os bons e os maus: todos os personagens são bem mais complexos que isso. É também a partir dos acontecimentos narrados que podemos conhecer o que - muitas vezes - está por traz de esportes tão elitizados. Por mais domínio de técnica que Tonya (Margot Robbie) tivesse, sua imagem não era desejável para representar o sonho americano... seu figurino nunca era bom o bastante, a escolha de músicas de rock e até acor de seus esmaltes eram motivo para que ela pontuasse sempre menos que suas rivais. 


Logo que o filme foi lançado, lembro de ter lido algumas reportagens sobre a história real e ter certeza que assistiria o filme odiando Tonya. No fim, me surpreendi. Por mais que ela tenha tido atitude extremamente reprováveis, ser apresentado a tudo que estava por trás da sua imagem de patinadora me levou a ter muito mais empatia por ela. 

Tonya foi uma menina que cresceu com um pai submisso que a abandonou, uma mãe grosseira e violenta, pobre e rotulada de white trash. Seu talento para patinação era sua única válvula de escape e a única fonte que alimentava sua autoestima. Mais adiante, ela se casa com um homem abusivo que sabia exatamente como manipulá-la para que ela o perdoasse. Tonya vivia no limite, se frustrava com facilidade e estava rodeada de pessoas que alimentavam o que havia de pior nela.

Para evitar o famoso spoiler, paro por aqui, mas não sem antes recomendar que assistam o filme. Eu amei e acho que muita gente também vai gostar. 

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