03/04/2018

O banco de trás

A sensação de ver a paisagem "correndo" pelo lado de fora da janela era inquietante. Melhor ainda era poder me deitar no banco e assistir as luzes passando com uma velocidade muito maior do que a que eu podia alcançar com o movimento dos olhos... sensação de liberdade, de velocidade! Assim me lembro do banco de trás do carro do me pai. Das memórias que tenho da minha infância, essa é uma das que permanece mais viva dentro de mim. 

Lembro de voltarmos para casa inúmeras vezes, no fim de tarde, já escurecendo, e sentir o frio na barriga quando o carro acelerado entrava em alguma descida mais ingrime. Belo Horizonte é assim, morro pra todo lado! Uma hora você sobre, noutra você desce... Quase nunca está em vias planas. Mas aquele frio na barriga, aquele que eu sentia quando era pequena, nunca mais senti.

Talvez soe bobo, pequeno, mas sim... esse frio na barriga do carro que desce rápido uma rua ingrime é a experiência mais memorável que tive no banco de trás de um carro. No carro do me pai, quando eu ainda era pequena de mais para sentar e alcançar o chão com os pés.

Frio na barriga, saudades. 



2 comentários:

  1. Que lembrança linda Ana. Uma memória bem mineira (aqui no Rio não temos muitas subidas e descidas).♥

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  2. Bateu uma saudades da infância lendo isso <3

    Limonada (antigo Novembro Inconstante)

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