Reflexões de divã: um balanço sobre a terapia

by - agosto 10, 2018


Demorei muito (muito muito) tempo para criar coragem e colocar meus pés num consultório de psicologia. Eu tinha todos os medos possíveis: descobrir que era louca, falar sobre coisas que não me sentisse à vontade, chorar na frente de um (a) estranho (a)... todos os cenários passaram pela minha cabeça e absolutamente qualquer coisa era uma desculpa para não dar um braço a torcer e experimentar a temida terapia.

Com o passar do tempo e também após viver períodos bastante conturbados, fui obrigada a reconhecer meus limites. Viver com o "modo sobrevivência" constantemente ligado já não era mais possível.

A verdade é que depois que comecei a frequentar a terapia, percebi que todos aqueles medos que eu tinha em relação a ela eram apenas coisa da minha cabeça. Eu não preciso falar sobre coisas que não me sinto à vontade em falar, não, não sou louca e se eu precisar derramar algumas lágrimas... E DAÍ?

Aos poucos, as ideias começaram a chegar no lugar. Sabe como é? A gente começa a pensar "Nossa, como o universo começa a conspirar quando começamos a fazer o movimento de mudança.", mas, na real não é nada disso. O universo não está conspirando... são minhas percepções e ideias que começaram a se transformar. E a partir dessas transformações, a gente vai - devagar, devagarinho - conseguindo sair do lugar.

Ora a gente dá uns passos pra frentes, ora dá uns passos pra trás. Mas o mais importante é não estar parado no lugar. Nem tudo são flores e terapia não opera milagres. Isso é importante reconhecer. Tem dia que a gente simplesmente não está afim de ir, não vai ter assunto e só quer ficar em paz... tem dia que a gente vai sentar e falar até pelos cotovelos. Tem hora que a gente consegue engolir o choro e em outros momentos as lágrimas brotam sem que a gente perceba.

A vida não é uma linha reta - e sua saúde mental também não. Fazer terapia é descobrir que muitas vezes algum assunto te incomoda mais do que você imagina... e aquilo que você achava ser o seu real problema, na verdade, nem é tão importante assim.

E o mais importante é perceber que pedir ajuda não é demonstrar fraqueza, mas sim, um ato de coragem. Não é fácil admitir que tá difícil seguir sozinho e varrer o sofrimento para debaixo do tapete não faz com que ele desapareça... pelo contrário, uma hora a sujeira começa a escapar e para ter controle da situação novamente vai ficando cada vez mais difícil. E fica mais difícil não porque somos fracos, mas porque estamos lutando há tanto tempo que a gente começa a ficar cansado e bagunça vai ficando cada vez maior.

Falar dói, mas é bom. E cura <3

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1 comentários

  1. Tenho muita vontade de fazer terapia, mas algumas vezes mãe torce o nariz quando comento a respeito. Priorizo muito minha saúde mental e ela anda muito boa, graças a Deus, mas as vezes a gente só quer conversar com um especialista, né? As vezes tenho ansiedade além do normal e repenso no assunto e vendo tanta gente falando em como melhorou depois, fico mais propensa em ir...

    Beijo enorme ❤
    Quase Aurora

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obrigada pelo comentário! respondo e visito todos os links que deixam aqui :)